Dívida previdenciária em foco: vereadora Mara se posiciona contra o PL 15/2026 e cobra transparência sobre o PREVBEL

Se é para amortizar, que realmente amortize ao menos os juros. Do jeito que está, aumenta a dívida!

Geral

27/04/2026

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Durante a 16ª Sessão Ordinária de 2026, a vereadora Mara Fornazari Urbano apresentou um posicionamento crítico e detalhado sobre o Projeto de Lei nº 15/2026, de autoria do Poder Executivo, que trata da reavaliação do plano de amortização do déficit atuarial do Prevbel (Regime Próprio de Previdência Social do município).

A parlamentar realizou uma análise técnica e política da proposta e, ao final, declarou voto contrário ao projeto. Além disso, diante da complexidade da matéria, também apresentou o Requerimento nº 96/2026, solicitando uma série de informações detalhadas à Administração Municipal e ao atuário responsável.


Um projeto que trata de uma dívida milionária

Mara destacou que o projeto trata diretamente da sustentabilidade da previdência municipal. O déficit atuarial do Prevbel está estimado em mais de R$ 393 milhões, conforme a última avaliação.

A proposta estabelece um novo cronograma de aportes até 2065 e revoga a lei aprovada em 2025. Inicialmente encaminhado em regime de urgência, o projeto teve esse pedido rejeitado pela Câmara, decisão considerada importante pela vereadora diante da necessidade de análise aprofundada.


Projeto sai de pauta por 30 dias

Com a derrubada do regime de urgência, o Projeto de Lei nº 15/2026 também foi retirado de pauta por 30 dias. Nesse contexto, Mara protocolou o Requerimento nº 96/2026, aprovado pelo plenário, solicitando informações técnicas fundamentais para a análise da proposta.

O pedido inclui documentos atualizados da avaliação atuarial, detalhamento dos aportes realizados entre 2022 e 2025, evolução da dívida previdenciária, identificação de períodos com amortização real, nula ou negativa, memória de cálculo completa e simulações do novo plano de custeio.

A vereadora também requisitou nota técnica explicando a eventual redução do déficit, com base em fatores como taxa de juros, tábua de mortalidade e dados do censo previdenciário.

A parlamentar também questiona a variação do déficit atuarial em relação a avaliações anteriores, que indicavam valores superiores, buscando esclarecer se a redução decorre de aportes efetivos ou de alterações nas premissas atuariais.

Segundo Mara, as informações são indispensáveis para garantir uma decisão responsável por parte do Legislativo.

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Legalidade não basta: é preciso analisar o mérito

Embora o parecer jurídico aponte regularidade formal, a vereadora reforçou que cabe ao plenário avaliar o mérito da proposta. Ela lembrou, inclusive, das ressalvas feitas pelo Tribunal de Contas do Estado do Paraná em análises anteriores relacionadas ao tema.

Também destacou que a Comissão de Constituição e Justiça já havia solicitado manifestação do Conselho do Prevbel, documento que ainda não havia sido apresentado até aquele momento.


Mudança apenas nos valores, sem solução estrutural

Um dos principais pontos levantados foi que o projeto não traz mudanças estruturais em relação ao anterior. A diferença está apenas na atualização dos valores, conforme exigido pela legislação previdenciária.

Na avaliação da vereadora, trata-se de um ajuste obrigatório, mas insuficiente para resolver o problema.


Pagamento não cobre juros e dívida pode aumentar

A análise apresentada por Mara apontou que o município prevê pagar cerca de R$ 14 milhões em 2026, enquanto os juros da dívida são estimados em aproximadamente R$ 21 milhões.

Com isso, o saldo devedor tende a aumentar em cerca de R$ 7 milhões já no primeiro ano. Para a vereadora, isso indica que o plano não reduz o passivo no curto prazo, postergando seus efeitos para os exercícios seguintes.

Ela também chamou atenção para os valores previstos nos anos seguintes, considerados baixos para a capacidade do município.


Alternativas foram apresentadas, mas não adotadas

A vereadora destacou que o próprio estudo atuarial apresenta três cenários possíveis:

• Um modelo com menor aporte inicial, que não cobre integralmente os juros;

• Um modelo intermediário, que estabiliza a dívida ao cobrir os juros;

• Um modelo mais robusto, com amortização efetiva do passivo.

Para Mara, a escolha do Executivo foi pela alternativa menos eficaz.


Risco de agravamento em médio prazo

Outro ponto levantado foi o horizonte do plano, que se estende até 2065. A vereadora alertou que o próprio estudo atuarial indica risco de agravamento da situação em cerca de 15 anos.

Diante disso, questionou a efetividade de um planejamento de longo prazo sem medidas estruturais imediatas. Apesar disso, o regime ainda apresenta liquidez no curto prazo, o que reforça a necessidade de análise voltada ao equilíbrio de longo prazo.


Reconhecimento técnico e crítica à decisão política

Mara reconheceu o esforço técnico de servidores, do atuário e da equipe da administração, mas afirmou que falta uma decisão política mais firme para enfrentar o problema.

Segundo ela, há o risco de que novos projetos semelhantes sejam apresentados nos próximos anos, repetindo a lógica de adiamento.


Voto contrário e defesa de responsabilidade fiscal

A vereadora Mara Fornazari Urbano declarou voto contrário ao Projeto de Lei nº 15/2026. Para ela, aprovar a proposta neste momento, sem as informações solicitadas e sem mudanças estruturais, seria assumir o adiamento de um problema grave.

Com o requerimento apresentado e o prazo de 30 dias fora de pauta, a expectativa agora é que o Executivo encaminhe os dados necessários para uma análise técnica mais aprofundada por parte dos vereadores.



Dívida previdenciária em foco: vereadora Mara se posiciona contra o PL 15/2026 e cobra transparência sobre o PREVBEL