Moção de Aplausos exalta o trabalho do Laboratório de Biologia de Tumores da Unioeste como farol nacional na pesquisa oncológica e na defesa da vida

“O LBT não é apenas um laboratório: é uma trincheira pela vida, especialmente das mulheres.” Mara Fornazari Urbano

Saúde

13/01/2026

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A Câmara de Vereadores de Francisco Beltrão, em uma sessão histórica realizada durante o mês de Outubro Rosa, concedeu a Moção de Aplausos ao Laboratório de Biologia de Tumores (LBT) da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), campus Francisco Beltrão, em reconhecimento formal às suas inestimáveis e relevantes contribuições científicas e sociais na área da pesquisa oncológica. A honraria, iniciativa da vereadora e Procuradora das Mulheres no Legislativo, Mara Fornazari Urbano, em conjunto com o vereador e Procurador da Juventude Marcos Folador, sublinha o profundo compromisso da universidade pública com o desenvolvimento humano, a ciência de ponta e, sobretudo, com a defesa incondicional da saúde e da vida da população beltronense e de todo o Sudoeste do Paraná. Este gesto é mais do que uma celebração; é uma afirmação política e social de que a cidade reconhece e valoriza o papel transformador da pesquisa na construção de um futuro mais justo e saudável.

O LBT é, inquestionavelmente, um marco nacional em pesquisa aplicada à oncologia e à saúde coletiva, com uma atuação que se tornou fundamental para a realidade do interior do Brasil. Sua criação, em 2014, foi concomitante à implantação do curso de Medicina na Unioeste de Francisco Beltrão, nascendo com a missão específica de investigar e solucionar graves problemas de saúde que afligem a região. Os dados epidemiológicos revelam a urgência desse trabalho, uma vez que a incidência de câncer de mama no Sudoeste do Paraná supera a média nacional em mais de 30%. Desde o início, o laboratório consolidou-se pela capacidade de unir a academia a instituições cruciais do sistema de saúde e pesquisa, como o Hospital do Câncer (CEONC) e o prestigiado Instituto Nacional de Câncer (INCA), tecendo uma rede que otimiza a investigação, o diagnóstico e o tratamento.

A liderança dessa vanguarda científica pertence à professora Dra. Carolina Panis, coordenadora de projetos e orientadora, que com sua equipe multidisciplinar formada por estudantes de graduação e pós-graduação, e por dedicados integrantes das Ligas Acadêmicas de Oncologia e Câncer de Mama, tem elevado o nome de Francisco Beltrão ao cenário global da ciência. O grupo de pesquisa atua em estreita colaboração com docentes convidados, outros pesquisadores da Unioeste e profissionais da rede pública regional. Essa infraestrutura humana e técnica faz do LBT uma referência essencial em coleta, análise, e processamento de material genético e amostras biológicas de pacientes diagnosticados com a doença, realizando mapeamento genético e epidemiológico, a criação de bancos de dados clínicos e exames laboratoriais aprofundados.

Um dos pilares de sustentação e aplicação prática de todo o conhecimento gerado no LBT é a figura do Dr. Daniel Rech, médico oncologista do CEONC e professor da Unioeste, que atua como um elo vital entre a pesquisa de bancada e o cuidado clínico direto aos pacientes. Seu apoio e supervisão no projeto de mapeamento do câncer de mama garantem que as descobertas feitas no laboratório sejam imediatamente revertidas em protocolos clínicos mais eficazes, diagnósticos mais precisos e, fundamentalmente, em melhor qualidade de vida para as mulheres da região. A participação ativa de um profissional que lida diariamente com a realidade da doença no Sudoeste do Paraná confere ao LBT uma perspectiva clínica insubstituível, garantindo que o foco da pesquisa esteja sempre voltado para a solução de problemas reais da comunidade.

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O projeto de maior impacto do LBT é o ambicioso “Mapeamento do câncer de mama familial no Sudoeste do Paraná e estudo da associação de risco com agrotóxicos”, coordenado pela Dra. Carolina Panis, que colocou a região no centro do debate global sobre saúde e meio ambiente. A pesquisa, que já entrevistou e analisou mais de 4 mil mulheres, investiga fatores ambientais, genéticos e ocupacionais, com foco no grave impacto dos agrotóxicos na saúde das mulheres agricultoras. Os resultados desse trabalho são cientificamente contundentes: mulheres com exposição ocupacional a pesticidas demonstram um risco 32% maior de desenvolver câncer de mama e uma chance 52% maior de metástases em comparação com a população geral. Além disso, os dados apontam que o perfil biológico do câncer manifestado entre as agricultoras é mais agressivo, exigindo atenção e protocolos clínicos diferenciados. A dimensão e a seriedade desse estudo foram reconhecidas internacionalmente, culminando em publicações em revistas de alto impacto, como a prestigiada The Lancet, reforçando a posição do laboratório no cenário global da pesquisa.

Essa incansável busca por respostas levou o LBT a um novo patamar de excelência em 2025, com a criação do Laboratório de Análise de Micropoluentes, fruto de um convênio de cooperação com a Itaipu Binacional que somou investimentos superiores a R$ 2,6 milhões. Esta nova unidade se tornou uma estrutura de ponta, dotada de um moderno espectrômetro de massa, capaz de analisar mais de 400 tipos de resíduos de agrotóxicos em amostras humanas, animais e ambientais. Com essa tecnologia, Francisco Beltrão se estabelece como um referencial científico no Brasil para aprofundar a compreensão do elo entre a exposição química e o desenvolvimento de tumores malignos. O laboratório não se limita ao estudo do câncer de mama, estendendo suas investigações para o aumento de casos de leucemia em crianças de famílias produtoras que utilizam agrotóxicos, observando prognósticos ruins e evoluções pioradas da doença.

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A Moção de Aplausos é um reconhecimento à formação de excelência que o LBT proporciona. A atuação do laboratório multiplica seu impacto ao formar e capacitar novos profissionais de saúde, promover o aconselhamento genético e o apoio psicológico para pacientes e familiares, além de integrar ativamente o ensino, a pesquisa e a extensão através de campanhas educativas em saúde. Os resultados alcançados influenciam diretamente políticas de saúde pública e protocolos médicos regionais, transformando dados científicos em ações concretas que geram diagnóstico precoce e esperança.

O trabalho do LBT, conforme ressaltou a vereadora Mara Fornazari Urbano, tem um significado político profundo, dialogando diretamente com a legislação municipal de proteção ambiental e sanitária. A ciência produzida pelo laboratório documenta os riscos e as consequências das exposições, tornando-se um contraponto essencial nos debates sobre o uso de agrotóxicos, especialmente após a alteração legislativa, em Francisco Beltrão, que reduziu a zona de proteção de 300 para apenas 50 metros em relação a escolas, residências e cursos d’água. A vereadora Mara reforçou que o laboratório que se homenageia hoje estuda justamente os danos causados, alertando que “reduzir a zona de proteção é ampliar o risco para famílias inteiras”.

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Em sintonia com a Semana Municipal de Incentivo à Agroecologia, instituída em 2015, e o Dia Mundial da Alimentação, a homenagem é um chamado à reflexão sobre a saúde das pessoas, o respeito à terra e o direito de viver em um ambiente protegido e equilibrado. O Laboratório de Biologia de Tumores e o Laboratório de Análise de Resíduos Micropoluentes personificam a ciência, o cuidado e a defesa da vida. A Dra. Carolina Panis, o Dr. Daniel Rech, os pesquisadores, estudantes e técnicos são um patrimônio científico e moral de Francisco Beltrão. Seu trabalho traduz-se em avanço científico, formação de excelência e, mais importante, em esperança concreta para milhares de famílias, elevando Francisco Beltrão ao cenário nacional e internacional da pesquisa contra o câncer. Esta Moção de Aplausos é a mais justa reverência desta Casa Legislativa à ciência que transforma realidades e honra o compromisso público com a vida.

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Pesquisas do LBT: o que trata a ciência produzida em Francisco Beltrão

O projeto de maior impacto e que fundamenta o reconhecimento nacional e internacional do LBT é o Mapeamento do Câncer de Mama Familial no Sudoeste do Paraná e Estudo da Associação de Risco com Agrotóxicos. A pesquisa é coordenada pela Dra. Carolina Panis no campus da Unioeste em Francisco Beltrão, contando com a supervisão clínica essencial do médico oncologista Dr. Daniel Rech. O estudo concentra-se na 8ª Regional de Saúde, abrangendo 27 municípios, e tem como foco documentar a associação entre o alto índice de câncer de mama na região (mais de 30% acima da média nacional) e a exposição ocupacional a agrotóxicos em mulheres rurais. Os dados revelam que mulheres expostas têm um risco de câncer aumentado em até 60% e o risco de metástase pode ser até 220% maior, com um perfil tumoral mais agressivo. Um achado científico dessa linha, que gerou destaque em publicações internacionais, é a identificação de que a principal via de exposição das mulheres, mesmo daquelas que não aplicam diretamente o produto, é a contaminação dérmica, especialmente durante o processo de lavagem de roupas e equipamentos contaminados sem o uso de luvas de proteção, um fator determinante para a alta incidência e a agressividade da doença.

Essa linha de pesquisa desdobrou-se em estudos específicos de pós-graduação, aprofundando os achados clínicos e moleculares. Um exemplo é a dissertação de Géssica Tuani Teixeira, orientada pela Dra. Panis, que detalhou o Perfil Clínicopatológico do Câncer de Mama em Mulheres Ocupacionalmente Expostas aos Agrotóxicos. O trabalho, realizado no CEONC, investigou o subtipo molecular das pacientes, identificando o predomínio do perfil Luminal B, de pior prognóstico, e a ocorrência de quimiorresistência ao tratamento nas mulheres expostas. Paralelamente, a dissertação de Stephany Bonin Godinho dos Santos, sob coorientação da Dra. Carolina Panis e da Dra. Dalila Moter Benvegnú, focou na Exposição Ocupacional a Pesticidas e sua Relação com a Desregulação Imunológica em Pacientes com Câncer de Mama. Este estudo aprofundou como a exposição crônica a pesticidas afeta o sistema imunológico, documentando a desregulação de citocinas (como IL-17A e TNF-α) e uma queda na resposta de defesa que permite ao câncer se desenvolver de forma mais agressiva.

Outro eixo de investigação de grande visibilidade é a Toxicologia Ambiental e a Contaminação da Água. O estudo "Widespread pesticide contamination of drinking water and impact on cancer risk in Brazil", publicado na revista Environment International, liderado pela Dra. Carolina Panis com o Dr. Luciano Zanetti Pessôa Candiotto, analisou a contaminação da água potável por 11 pesticidas cancerígenos em nível nacional, correlacionando os dados do Ministério da Saúde (Siságua) com o risco de câncer. Os achados indicaram contaminação extensa, inclusive por pesticidas banidos, e uma correlação significativa entre a contaminação da água por glifosato e diurom e o aumento de casos de câncer de mama e câncer total.

Nesse contexto de saúde coletiva, uma das pesquisas mais sensíveis e com maior impacto social desenvolvidas no LBT focou na saúde materno-infantil, através do estudo da pesquisadora Márcia Camiccia. Este trabalho teve como objetivo avaliar o percentual de aleitamento materno e, de forma inédita, investigar os níveis de glifosato no leite materno de lactantes residentes nas áreas urbana e rural de Francisco Beltrão. A pesquisa buscou correlacionar a presença deste agrotóxico, um dos mais utilizados nas lavouras de milho e soja da região, com parâmetros socioambientais e o histórico de saúde das mães. Este estudo se soma aos achados que indicam a exposição de toda a família aos pesticidas, alertando que a contaminação não se restringe aos adultos, mas atinge a saúde dos bebês desde a primeira infância, reforçando a urgência na criação de políticas públicas de proteção à saúde que considerem o ciclo de vida completo e a vulnerabilidade das famílias agricultoras.

Por fim, uma das conquistas mais importantes de incentivo à pesquisa científica, a instalação do espectrômetro de massa no Laboratório de Análise de Micropoluentes, fruto da parceria de R$ 2,6 milhões com a Itaipu Binacional, permitiu ao LBT ampliar o escopo para a análise multirresíduos de mais de 400 agrotóxicos em amostras ambientais e humanas. Esta tecnologia permite a Dra. Panis e sua equipe desenvolverem uma linha de pesquisa essencial sobre Câncer em Crianças e Exposição Ocupacional dos Pais, investigando o porquê de crianças de famílias rurais que utilizam agrotóxicos apresentarem prognósticos mais ruins e falhas de tratamento no caso de leucemias. Essa investigação em saúde pediátrica, aliada a estudos de genética e epidemiologia populacional, consolida o LBT como um centro que transforma dados científicos em políticas concretas para proteger a comunidade.

Além das linhas de pesquisa detalhadas, o LBT mantém um leque ativo de investigações que solidificam sua posição como um centro de biologia de tumores de ponta. O laboratório aprofunda-se em estudos moleculares e genéticos, explorando temas como o perfil oxidante e a capacidade antioxidante em mulheres na pós-menopausa, e os mecanismos de resistência a tratamentos oncológicos como a doxorrubicina. Também atua na identificação de marcadores circulantes para diagnóstico precoce de câncer e na investigação de alterações inflamatórias no tecido mamário de mulheres expostas a agrotóxicos antes mesmo do desenvolvimento do câncer, como demonstram os trabalhos de seus pós-graduandos. Esse conjunto de pesquisas demonstra o compromisso do Laboratório com a compreensão integral da carcinogênese, desde os fatores ambientais e as desregulações imunológicas até os prognósticos clínicos e a busca por novos tratamentos.

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E qual o papel da vereadora e Procuradora das Mulheres Mara? Transformar a ciência em ação política e articulação!

O trabalho da Vereadora Mara Fornazari Urbano transformou os dados científicos do LBT em uma pauta de saúde pública de urgência nacional. Em junho de 2025, a vereadora formalizou pedidos de extrema relevância diretamente ao Ministro de Estado da Saúde, Alexandre Padilha, e à Ministra de Estado das Mulheres, Márcia Helena Carvalho Lopes, solicitando a inclusão do exame PET-CT no rol de procedimentos do SUS e a aquisição de um sequenciador genético para pacientes com câncer de mama no Sudoeste do Paraná.

Este pleito é de extrema necessidade porque os achados do LBT, formalizados em memorando técnico da Dra. Carolina Panis e do Dr. Daniel Rech, demonstram que as mulheres agricultoras da 8ª Regional de Saúde desenvolvem tumores de mama de maior tamanho e subtipos mais agressivos, o que exige tecnologias de ponta. A inclusão do PET-CT no SUS é vital para o estadiamento preciso, detecção precoce de metástases e definição de condutas terapêuticas personalizadas, especialmente em subtipos agressivos como o Triplo-negativo. A aquisição do Sequenciador Genético, por sua vez, é essencial para identificar mutações hereditárias em pacientes jovens, permitindo o aconselhamento genético e o rastreamento preventivo de familiares de primeiro grau, podendo interromper o ciclo de adoecimento em toda a comunidade.

A articulação da vereadora Mara junto ao Ministério das Mulheres garantiu que o pleito fosse imediatamente colocado em pauta na Coordenação-Geral de Ações Temáticas e Diversidade, que se comprometeu a articular a demanda com o Ministério da Saúde, no âmbito da ANVISA e do Conselho Nacional de Saúde.

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Estamos nessa luta, para garantir que a saúde da mulher agricultora, vulnerável à exposição a agrotóxicos, seja elevada à categoria de prioridade de Estado, traduzindo o conhecimento científico em políticas concretas de defesa da vida.



Moção de Aplausos exalta o trabalho do Laboratório de Biologia de Tumores da Unioeste como farol nacional na pesquisa oncológica e na defesa da vida